Estes blogs maravilhosos e nossa exposição…

março 11, 2010

"Big Bum", de Cinthia Marcelle

Marina Coratto, do Vitrine Urbana, fez um post-delícia sobre nossa inauguração, que você lê na íntegra aqui. Abaixo, um aperitivo:

“Estreou no último sábado (6) a exposição “Jogos de Guerra – Confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira”, na Galeria Marta Traba, lá no Memorial da América Latina. A mostra reúne cerca de 40 dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira para falar de confronto e convergências do relacionamento humano ao longo da história e do cotidiano das pessoas comuns…”

Almir de Freitas e seu ótimo  Não me culpem pelo aspecto sinistro também anunciou a exposição, veja  a seguir. Quer conhecer o blog? Clique aqui.

“Abre amanhã a exposição Jogos de Guerra, com curadoria de Daniela Name. A relação (respeitável) de artistas que participam com obras e o endereço seguem no convite acima.  Mais informações podem ser obtidas no blog  da exposição”

Rafael Perpétuo

março 11, 2010

O artista mineiro, nascido em 1983, participa da exposição com uma série de seis desenhos que dão novos significados a imagens de revólveres.  Ele fala aqui sobre os trabalhos:

Os trabalhos de Perpétuo (brancos, centro) ladeados pelos de Julia Debasse (à esquerda) e o quebra-cabeças de Gisela Milman

“Fiz os desenhos em 2008 para minha individual no Palácio da Artes, em Belo Horizonte,  junto com mais três vídeos e um áudio. Eles são uma síntese dos conceitos que me interesso em trabalhar, independente da mídia usada. Gosto de pensar sobre estas representações, principalmente de paradigmas (sejam sexuais, morais ou éticos). Também como um desvio como a cor, um detalhe ou a posição podem alterar este signo de forma a resignificá-lo.

No caso dos revólveres, uma imagem de poder “desarmada” a ponto de parecer frágil e delicada. Como de fato pode ser, afinal, pois uma arma é usada para demonstrar poder perante o medo ou algum sentimento do tipo. Eu me interesso por esta relação de disputa, de afirmação e controvérsia”.

War Games: confrontation and convergence in Latin America Memorial

março 10, 2010

Brazilian artist Leo Ayres is taking his project, “Jogos de Guerra: Confrontos e Convergências na Arte Contemporânea Brasileira” (“War Games: Confrontation and Convergence in Brazilian Contemporary Art”) to the Marta Traba gallery, at the Latin America Memorial in São Paulo. Curated by art critic Daniela Name, “Jogos de Guerra” will gather, from March 6 to April 4, the work of 40 contemporary artists, exploring the notions of  alterity and confrontation in seven sections, conducted by specific themes.

http://www.madeupdisease.com/?p=8293

10 + no Mais!

março 10, 2010

Nosso convite virtual

março 5, 2010

março 3, 2010

O texto da parede

março 2, 2010

Este é o texto de apresentação de “Jogos de guerra”. O do catálogo é diferente e maior.  Esperamos vocês em São Paulo no dia 6 de março, a partir das 16h, para a inauguração no Memorial da América Latina.

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O embate com o outro está na raiz dos países, das paixões, da economia e dos idiomas.  Se quem ama morre um pouco, perdendo ou vencendo batalhas íntimas, quem fala vira assassino de outros falares. Não se cria uma língua sem arrasar com outras.

O português que aprendemos no Brasil só se afirmou como idioma oficial ao destruir os léxicos de tupis e guaranis, roubando para seu corpo parte da alma dos vencidos. Mais tarde, os dialetos dos escravos africanos arredondaram frases e destacaram as vogais, adoçando nossa fala rumo à música.

Por que estou falando de língua numa exposição de arte? Porque uma de minhas tarefas nestes Jogos de guerra é escrever. Um texto é uma sucessão de batalhas, da qual dificilmente se sai ileso.  O consolo é não estar sozinha: esta mostra conta com trabalhos que apresentam o confronto dos artistas com sua própria obra ou o meio que os cerca.

Nesta arquitetura desafiadora criada por Oscar Niemeyer, que muitas vezes duela com o que ousa ocupar seu espaço interno, apresentamos uma sequência de obras de arte em um ciclo de conflitos e tréguas.

Vemos a antropofagia dos tempos coloniais, em que os tupinambás engoliam o homem branco para tirar dele sua força, mas também a guerra de todos os exércitos, do dinheiro, da religião, da cultura de massa e das raças.

É a guerra que começa na infância, quando aprendemos num tabuleiro de “War” a arrasar com os exércitos azuis conquistando Aral, Dudinka ou Vladvostoki. Ou a odiar o time de futebol do vizinho do apartamento 32, transformando o playground em batalha campal depois da disputa de pênaltis no Parque Antártica (ou no Morumbi, ou no Pacaembu, ou em Vila Belmiro, não fiquem nervosos, por favor).

É a trincheira urbana do tráfico, com suas balas traçantes, mas também o bunker do isolamento, que impede a visão de semitons e diferenças. É a violência doméstica, do inimigo mais próximo,  e as depressões e pesadelos que estão apenas dentro de cada um e são um tipo de tormento para chamar de seu.

Jogar com a guerra é encontrar o jeitinho, a fresta, a metáfora, a trilha que ilumina a estrada principal.  A arte é um dos melhores modos de começar a partida. Os negros derramaram melado de cana nas consoantes brancas e plantaram em nossa língua a herança que é sua pequena-grande vitória. A ironia, o humor e as sutilezas que constituem alguns dos trabalhos apresentados aqui vão na mesma direção. Rir da desgraça, purgar o crime e satirizar o algoz é enxergar a briga de outro ângulo, revisando estratégias.

A arte é bandeira branca e ao mesmo tempo munição e revide.  Às armas, então.

Daniela Name

Como tudo começou…

março 2, 2010

Em outubro do ano passado, numa vernissage no Rio, conheci um vereador de Mar del Plata. Ele fez um convite para uma exposição em sua cidade e me indicou uma pequena galeria. Essa foi a primeira fagulha de Jogos de Guerra.

Quando vi os desenhos do Nazareno, foi aquele alarme na minha cabeça soando dizendo “como não pensei nisso antes”. Logo convidei ele e o Guga Ferraz para se unirem a mim nessa empreitada. O espaço era pequeno e as escolhas feitas. Eu tinha um projeto em busca de um texto crítico.

Quando mostrei para a Daniela Name e Nara Reis, elas logo sugeriram mais alguns nomes. O projeto acabou virando uma brincadeira entre mim e Daniela e foi ganhando corpo. O espaço argentino ficou pequeno e começamos a procurar um novo lugar.

Um belo dia, Daniela me chega com uma lista de mais de cem obras, divididas em oito núcleos (que acabaram virando sete). A minha proposta era só um dos núcleos. “Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados como flechas vivas”, diria Gibran. Aquela exposição de três artistas já estava andando com pernas próprias e havia, felizmente, contaminado mais alguém além de mim.

E já que o assunto é guerra e que tudo começou em Mar del Plata… Viva a Argentina!

Leo Ayres

O Cildo mandou avisar!

fevereiro 27, 2010

O convite aí em cima já diz muita coisa, mas vamos esclarecer mais: “Jogos de guerra – Confrontos e convergências na arte contemporânea brasileira”, exposição que teve sua primeira semente plantada por Leo Ayres e tem curadoria de Daniela Name, vai ser inaugurada no dia 6 de março de 2010, um sábado, no Memorial da América Latina, em São Paulo, e fica em cartaz até o dia 4 de abril, domingo de Páscoa.

Reunindo nomes do mais alto quilate na produção recente da arte brasileira – a lista também está no link acima -, a mostra fala de guerra, mas não apenas daquela literal, que leva os homens às armas. O confronto, aqui, pode ter muitos aspectos, assim como a trégua.

Vamos apresentando a exposição aos pouquinhos neste blog, que vai prosseguir no ar mesmo depois da inauguração. “Jogos de guerra” foi produzida por Nara Reis e Amanda Bonan, através da Coletiva Projetos Culturais. Ana Fay é curadora-assistente da mostra, que tem apoio cultural das transportadoras Millenium e Alves Tagan e da cervejaria artesanal Bamberg, de Votorantim.


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